Referências: desenhos de arquitetos

 

Os desenhos dos arquitetos, os famosos croquis, são realizados à mão livre e, como um instrumento de projeto, podem cumprir mais de uma função ou propósito dentro da prática profissional.

 

Os croquis podem ter caráter investigativo, quando há a necessidade do arquiteto tornar mais clara uma idéia, uma intenção criativa. No início as idéias e pensamentos fluem e, para dar vazão a elas, os arquitetos lançam suas anotações onde o desenho livre se mistura com suas escritas, gráficos, cálculos e diagramas, de modo a compor um tipo de “pensamento visual”.

Por outro lado, os croquis podem ter caráter operativo, quando já indicam uma idéia bem mais clara e precisa do que está em formulação em termos de espaço, forma e função. Os desenhos operativos dizem o que é, como é, ou como fazer o que o arquiteto imaginou, muitas vezes sendo versões à mão-livre de perspectivas, cortes, plantas, assim como são operativos todos os desenhos técnicos e arquitetônicos (não livres), com vistas aos projetos executivos.

Os croquis podem ser descritivos, quando o arquiteto está diante de uma situação que o instiga a pensar espacialmente, tal como num desenho de observação ou de memória, onde muitas vezes as anotações também comparecem para enfatizar algo relevante para a formulação de idéias prementes ou futuras. Podem ter propósitos conceituais, onde todo o desenho é construído de modo a revelar um discurso paralelo que o justifica ideologicamente, e suas escolhas formais, estruturais, espaciais, muitas vezes dão a esses tipos de croquis têm um “algo mais” que instiga a imaginação. Por isso, para além dos objetivos profissionais, os croquis como peças de desenho, podem ainda se tornar uma forma expressão artística, proporcionando deleite visual puro e simples, especialmente aos olhos do leigo.

 

É muito importante compreender a importância do desenho livre para o projeto de arquitetura, na medida em que entendemos que o projeto é também uma obra tão importante quanto a obra construída em si. O projeto de arquitetura é um trabalho em processo, composto por várias etapas, onde o desenho livre é a primeira ação de um projeto, uma ferramenta que está literalmente “à mão” e sempre à disposição para ser aplicado em qualquer fase dessa obra, além dos outros tipos de desenho usuais nesse meio profissional (tais como o desenho arquitetônico e toda a gama de desenhos produzidos digitalmente através de variados programas gráficos).

 

O processo de projetar será entendido e praticado ao longo de um curso superior de arquitetura e urbanismo, através de conhecimentos em disciplinas de projeto e suas complementares (história e tecnologia aplicadas, por exemplo).

 

Ilustrando os variados usos do desenho à mão-livre no meio profissional, veja as referências iconográficas selecionadas abaixo e observe como cada imagem foi feita tendo em mente um propósito e intenção de comunicar idéias. Observe as técnicas utilizadas: colagens, fotomontagens, desenhos à grafite, lápis de cor, hidrocor, caneta, etc.. Veja também como os valores, ora de linha, ora de superfície se alternam nas apresentações. Cada uma das imagens se apresentam com linguagem e estilos próprios, e onde há uso predominante da linha, os traçados se desenvolvem segundo uma caligrafia pessoal.

 

(Você pode ampliar os desenhos, clicando sobre eles. Desenhos de vários autores / arquitetos: Grupo Archigram, Yona Friedman, Carla Caffé, Le Corbusier, Herman Hertzberger, Lélé, Oscar Niemeyer, Lúcio Costa, Reidy.)

 

Texto: Stella Miguez

 LINGUAGEM ARQUITETÔNICA

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